Justiça afasta policiais penais suspeitos de facilitar regalias a presos e movimentar R$ 2,6 milhões

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Unidade prisional de Araguatins, no Bico do Papagaio
Reprodução/Google Street View
Dois policiais penais foram afastados dos cargos pela Justiça por suspeita de envolvimento com lideranças de um esquema criminoso investigado pela polícia. Segundo o Ministério Público do Tocantins (MPTO), dois presos tinham regalias na prisão, e os policiais investigados fizeram transações em dinheiro suspeitas. Um deles movimentou R$ 2,6 milhões nos últimos cinco anos.
Os policiais trabalhavam na Unidade Prisional de Araguatins, na região do Bico do Papagaio. Os nomes não foram informados, e o g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem.
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Segundo o MPTO, a investigação é um desdobramento da Operação Falsum Imperium, que levou à prisão de suspeitos de participar de um esquema de estelionato e fraudes digitais.
As lideranças do grupo criminoso, identificadas pelo MPTO como Diego Freitas da Silva e Thalisson Igor dos Santos, foram presas preventivamente e estão na unidade prisional de Araguatins. O g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem.
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Durante diligência realizada na unidade, foi verificado que eles permaneciam fora das celas, usufruindo de tratamento diferenciado e incompatível com a rotina da unidade.
A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelo sistema prisional, foi procurada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.
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Investigação mostrou relação estreita
Os dados levantados no processo, por meio de provas digitais e da quebra de sigilo bancário, revelaram transações financeiras atípicas e uma estreita relação de convivência entre os policiais penais e os presos.
A investigação constatou que um dos policiais penais possuía movimentação financeira de R$ 2,6 milhões nos últimos cinco anos, montante apontado como incompatível com os rendimentos do cargo público.
Também foram identificadas transferências bancárias diretas feitas pelo servidor para a conta de um dos presos. Além disso, o próprio investigado admitiu possuir amizade com o detento.
Em relação ao outro policial, foram apurados repasses financeiros para o irmão de uma das lideranças, e foram localizadas mídias em um celular apreendido que comprovam contato frequente e relação próxima com os suspeitos.
Afastamento e proibições
Além do afastamento das funções públicas, a Justiça também determinou:
Proibição aos investigados de frequentar a Unidade Penal Regional de Araguatins, bem como qualquer outra unidade prisional, delegacia ou prédio administrativo vinculado à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) e à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
Proibição de manter contato direto ou indireto com outros investigados, além de testemunhas do processo.
Foi ordenado o bloqueio imediato das credenciais e acessos dos servidores a todos os bancos de dados e sistemas da Seciju e da SSP.
A decisão ainda determinou a notificação da Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário e da Seciju para cumprir o afastamento e abrir procedimentos disciplinares.
Em caso de descumprimento de qualquer uma das obrigações impostas, poderá ser decretada a prisão preventiva dos investigados.
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Fonte: G1 Tocantins