Zezé Motta (1926 – 2008) em ilustração da capa do último disco da cantora, ‘Entre cordas’, lançado em 2008
Reprodução / Capa do álbum ‘Entre cordas’, de 2008
♫ MEMÓRIA
♬ Zezé Gonzaga – artista que teria completado 100 anos no último dia 3 de setembro – foi uma grande cantora que não ficou entronizada na memória popular como uma grande cantora, como tantas estrelas da era do rádio. Talvez tenha faltado a Maria José Pinto Gonzaga (3 de setembro de 1926 – 24 de julho de 2008) – artista falecida aos 81 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos, há 18 anos – a vocação para o estrelato, para a popularidade e para lidar com a indústria da música, mas jamais lhe faltou o talento para o canto.
A afinação, emissão e respiração perfeitas de Zezé Gonzaga fizeram dela uma senhora cantora desde quando começou a carreira iniciada em 1939 em Além Paraíba (MG), cidade mineira onde se criou a menina mineira nascida em Manhuaçu (MG) em família de poucos recursos.
Com a voz privilegiada e habilidade para harmonizar a técnica exemplar com a emoção pedida pelas músicas que interpretava, Zezé Gonzaga logo sobressaiu no elenco de estrelas da Rádio Nacional, emissora na qual ingressou em 1949 e onde se tornou a cantora preferida de ninguém menos do que o pianista e maestro Radamés Gnattali (1906 – 1988).
Outro fã ilustre foi Hermínio Bello de Carvalho, produtor da coletânea “Entre cordas”, álbum que encerrou em 2008 a discografia iniciada por Zezé em 1949 com a gravação e edição do single de 78 rotações por minuto em que a cantora debutante gravou os sambas-canção “Desci” (Cláudio Luiz e Alcir Pires Vermelho) e “Inverno” (Clímaco César).
O single não aconteceu. Zezé Gonzaga, aliás, poucas vezes aconteceu nas paradas, mas cabe registrar o sucesso em 1951 da gravação de “Canção de Dalila”, versão em português da canção norte-americana “Delilah theme” (Victor Young, 1949), tema de filme lançado dois anos antes nos Estados Unidos.
Voz de vários jingles da Rádio Nacional, a cantora emplacou mais um sucesso em 1953 ao gravar o baião “É sempre o papai” (Miguel Gustavo) com o trio As Moreninhas. Três anos depois, em 1956, uma regravação do pioneiro samba-canção “Linda flor (Ai ioiô)” (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto, 1929) repôs Zezé Gonzaga nas playlists radiofônicas da época.
Contudo, o fato é que, diferentemente do que aconteceu com outras estrelas da era do rádio, a voz e as gravações de Zezé Gonzaga não atravessaram gerações. Até porque, a partir dos anos 1960, a carreira da cantora perdeu o impulso da década anterior. Tanto que Zezé abandonou o canto profissional em 1971 e somente voltou à cena em 1979, resgatada pelo mesmo Hermínio Bello de Carvalho que produziria, 23 anos depois, o álbum “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, editado em 2002.
O álbum promoveu na época o retorno à mídia dessa senhora cantora, admirada em nichos musicais, mas bem menos conhecida do que poderia ter sido pela alta qualidade do canto e pelo timbre belíssimo.
Fonte: G1 Entretenimento
