Filha de enfermeira vítima de feminicídio quer concluir curso de medicina para realizar sonho da mãe: ‘Continuar o legado dela’

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Enfermeira morta em Palmas é sepultada em Tocantínia; medida protetiva foi descumprida
Aos 23 anos, Lívia Monteiro tenta encontrar forças para continuar a faculdade de medicina em Assunção, no Paraguai, após perder a mãe, a enfermeira Morgana Vieira Monteiro, de 45 anos, vítima de feminicídio em Palmas. A jovem está no quinto semestre do curso e afirma que pretende concluir a graduação para realizar um dos maiores sonhos da mãe, que era vê-la formada médica.
Morgana foi assassinada na noite de segunda-feira (27), dentro de uma casa na quadra 1.503 Sul. O principal suspeito é o ex-marido, que acabou sendo morto em confronto com a polícia. A vítima tinha uma medida protetiva contra o suspeito.
A enfermeira deixou duas filhas: Lívia, de 23 anos, e uma menina de 8 anos. A estudante contou ao g1 que a mãe sempre valorizou a educação e incentivava as filhas a estudarem e buscarem novas oportunidades.
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“Ela sempre me incentivou desde a minha infância a estudar, a buscar um futuro melhor. Ela inclusive sempre foi apaixonada por estudo e estava estudando para fazer mais um concurso e conseguir realizar mais sonhos e planos que ela tinha”, contou.
Mesmo diante do luto e das dificuldades financeiras, ela afirmou que pretende continuar a graduação.
“Eu vou continuar estudando para concluir minha faculdade, que era o maior sonho da minha mãe: me ver formada. Eu vou continuar o legado dela”, disse.
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Lívia Monteiro é a filha mais velha da enfermeira Morgana Vieira Monteiro
Reprodução/Arquivo Pessoal
Apoio para continuar os estudos
Segundo Lívia, familiares, amigos e outras pessoas têm feito doações para ajudá-la a manter os estudos. Ainda faltam cerca de três anos para a conclusão do curso.
A irmã mais nova ficará sob os cuidados da família materna durante o período em que Lívia estiver no Paraguai. “Toda ajuda, mesmo que pequena, é bem-vinda, pois faltam três anos ainda para a conclusão do curso”, afirmou.
Lívia agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas de moradores do Tocantins e também de pessoas que conheceu durante os anos em que viveu no Paraguai.
Quem era Morgana Monteiro
Morgana Vieira Monteiro era enfermeira assistencialista na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Nacional e agente socioeducativo no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case). Natural de Tocantínia e irmã da vice-prefeita do município, ela era mãe de duas filhas e reconhecida por sua competência e humanidade.
Em nota, a Prefeitura de Porto Nacional lamentou a morte e afirmou que a profissional deixa “um legado de dedicação, competência, humanidade e compromisso com a saúde da população”.
O Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) também manifestou pesar pela morte da enfermeira e reforçou o repúdio a todas as formas de violência contra a mulher. O corpo da enfermeira foi velado em uma cerimônia aberta ao público na Feira Municipal Moacir Sotero.
Como ocorreu o crime
Segundo a Polícia Militar, Lelito Tavares Barbosa pulou o muro da residência e surpreendeu Morgana, sem dar tempo para que ela acionasse a polícia. Testemunhas contaram à TV Anhanguera que a vítima ainda tentou se proteger ao se trancar no banheiro, mas foi alcançada pelo ex-marido.
Após o crime, o suspeito fugiu para uma área de mata próxima à residência. Ele foi localizado por equipes da Polícia Militar e morreu durante confronto com os policiais.
Morgana Vieira Monteiro foi vítima de feminicídio, em Palmas (TO)
Divulgação/Coren-TO
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Mari Silva é integrante do programa de estágio entre o Grupo Jaime Câmara e Universidade Federal do Tocantins (UFT), sob supervisão de Patrício Reis.

Fonte: G1 Tocantins