Regalias a presos e movimentação de R$ 2,6 mi: o que se sabe sobre afastamento de policiais penais

0
16

Policiais penais são afastados após suspeita de envolvimento em estelionatos em Araguatins
A Justiça do Tocantins determinou o afastamento imediato de dois policiais penais que atuavam na Unidade Prisional de Araguatins sob a suspeita de conceder regalias a detentos. A investigação, conduzida no âmbito da Operação Falsum Imperium, aponta que os servidores mantinham proximidade com líderes de um esquema de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro.
O g1 não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.
Durante diligências na unidade, foi constatado que os presos permaneciam fora das celas, usufruindo de tratamento diferenciado e incompatível com a rotina prisional. Um dos policiais investigados movimentou mais de R$ 2,6 milhões nos últimos cinco anos, montante desproporcional ao seu salário funcional, segundo a Justiça.
Diante dos indícios, o Ministério Público e a Justiça impuseram restrições rigorosas aos investigados para garantir a integridade das apurações em curso.
Veja o que se sabe sobre o afastamento dos policiais penais:
Unidade prisional de Araguatins, no Bico do Papagaio
Reprodução/Google Street View
Quem são os policiais afastados?
Os policiais penais envolvidos são Lucio Mota Duarte e Kainnan Andrade Almeida Pereira. Por determinação judicial, eles estão proibidos de acessar qualquer unidade prisional, delegacia ou prédio administrativo vinculado à Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju) e à Secretaria de Segurança Pública.
Os servidores tiveram seus acessos aos sistemas suspensos e não podem manter contato direto ou indireto com testemunhas e quatro investigados da operação, incluindo os detentos beneficiados.
LEIA TAMBÉM
Grupo suspeito de aplicar golpes virtuais é preso após movimentar mais de R$ 4 milhões
Justiça afasta policiais penais suspeitos de facilitar regalias a presos e movimentar R$ 2,6 milhões
Transações bancárias e suspeita de amizade com presos levam ao afastamento de policiais penais no TO, aponta investigação
Quais regalias os presos recebiam na prisão?
De acordo com o Ministério Público do Tocantins (MPTO), os detentos apontados como chefes de um esquema de estelionato virtual são Diego Freitas da Silva e Thalisson Igor dos Santos. Para a investigação, os dois vinham recebendo tratamento privilegiado dentro da Unidade Penal de Araguatins.
A principal irregularidade constatada foi a permanência desses detentos fora das celas em horários e condições incompatíveis com as normas da unidade.
A investigação associa esse “tratamento diferenciado” à proximidade e amizade mantida entre os servidores e os presos.
Investigação encontrou transferências bancárias
O policial Lucio Mota Duarte movimentou em sua conta bancária a quantia de R$ 2.663.932,90 no período de cinco anos. A investigação aponta que esse valor é incompatível com seus rendimentos como servidor público
Foram identificadas transferências diretas da conta de Lucio para a conta do preso Diego Freitas da Silva. No caso do policial Kainnan, foram encontrados indícios de transferências bancárias para um irmão de Diego, que também teria envolvimento no esquema criminoso de estelionato.
O que dizem os policiais sobre a relação com os detentos?
Durante os depoimentos à autoridade policial, o servidor Lucio Mota Duarte teria confirmado que possui “amizade e convivência habitual” com o detento Diego Freitas da Silva. Em relação ao policial Kainnan, evidências extraídas de celulares comprovam um contato constante com familiares dos presos envolvidos na Operação Falsum Imperium.
A Justiça considerou que a manutenção dos dois em suas funções representaria uma ameaça direta à coleta de provas e ao andamento das investigações.
O que foi a Operação Falsum Imperium?
A operação aconteceu no dia 14 de julho de 2026 e prendeu quatro suspeitos em Araguatins. Os investigados, com idades entre 20 e 67 anos, são suspeitos de integrar um esquema de estelionato virtual e lavagem de dinheiro. Eles teriam movimentado mais de R$ 4 milhões desde 2020.
Segundo a polícia, após as vítimas pagarem pelos produtos falsos, o dinheiro era distribuído em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. As investigações iniciaram depois de denúncias anônimas sobre o padrão de vida de um dos suspeitos, que seria incompatível com a renda declarada.
Investigados distribuíam dinheiro de golpes em diversas contas para dificultar rastreio
Divulgação/PC-TO
Qual o posicionamento da Seciju e do sindicato da categoria?
A Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) informou que iniciou os processos administrativos para o afastamento dos servidores e que colabora integralmente com as autoridades, não compactuando com irregularidades.
O Sindicato dos Policiais Penais do Tocantins (SINDIPPEN/TO) afirmou que acompanha o caso e ressaltou que o afastamento cautelar não deve ser interpretado como condenação antecipada.
O sindicato defende que as responsabilidades devem ser apuradas individualmente e que a conduta de poucos não reflete o trabalho de toda a categoria.
O que acontece se os policiais descumprirem as medidas cautelares?
A decisão judicial é taxativa ao estabelecer que o descumprimento de qualquer uma das proibições, como tentar acessar sistemas prisionais ou contatar testemunhas, pode levar à decretação da prisão preventiva dos investigado
Atualmente, apesar de suspensos das funções físicas e administrativas, os servidores continuam recebendo remuneração proporcional ao cargo enquanto o processo disciplinar e a investigação criminal avançam.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins