Sorteios e doações para igreja: veja o que se sabe sobre influenciadora suspeita de movimentar R$ 20 milhões com jogos ilegais

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Operação policial combate exploração de jogos ilegais de azar
Um grupo suspeito de exploração de jogos ilegais de azar em plataformas digitais e lavagem de dinheiro está sendo investigado pela Polícia Civil em Palmas. A principal investigada é uma influenciadora digital, apontada como uma das responsáveis por divulgar plataformas e sorteios irregulares nas redes sociais, movimentando mais de R$ 20 milhões em um ano.
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Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (14), na primeira etapa da Operação Tigre de Areia. A mãe da influenciadora é uma das investigadas no suposto esquema. Veja o que se sabe sobre a investigação.
O que é a Operação Tigre de Areia?
A ação investiga um grupo suspeito de exploração ilegal de jogos de azar, promoção de sorteios sem autorização, associação criminosa e lavagem de dinheiro em Palmas.
A ação cumpriu, até o momento, seis mandados de busca e apreensão e incluiu medidas como bloqueio de contas, apreensão de três veículos, três casas e sete lotes e a suspensão de perfis em redes sociais supostamente usados para divulgar apostas.
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Quem é a influenciadora investigada?
A principal investigada é a influenciadora digital Lara Luiza Cabral Dias, que acumula cerca de 19 mil seguidores nas redes sociais.
Segundo a investigação, ela publicava conteúdos de viagens, mensagens de fé e também promovia sorteios e plataformas de apostas. O perfil passou a focar nesse tipo de conteúdo a partir de 2023.
Influenciadora é suspeita de movimentar R$ 20 milhões com jogos ilegais
Reprodução/Instagram de Lara Luiza
Quanto dinheiro o grupo teria movimentado?
A polícia aponta que o grupo movimentou um valor superior a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano. Os valores são considerados incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
A influenciadora declarava ganhos mensais inferiores a R$ 4 mil, enquanto a mãe, que também é investigada, declarava ocupação de faxineira e renda de pouco mais de R$ 3 mil.
Só a mãe teria movimentado cerca de R$ 9 milhões no período investigado.
Como funcionava o suposto esquema de jogos ilegais?
De acordo com informações da polícia, havia uma estrutura organizada para divulgar plataformas de apostas online ilegais e sorteios sem autorização, principalmente por meio de redes sociais.
A estratégia incluía atrair seguidores com conteúdos variados e direcioná-los a serviços de apostas que não tinham autorização legal para operar no Brasil. O valor adquirido através do esquema era espalhado para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Como o dinheiro era movimentado e ocultado?
O grupo é suspeito de usar técnicas de lavagem de dinheiro, como:
empresas de fachada;
contas bancárias de terceiros e familiares;
transferências fracionadas (“pulverização” de valores);
distribuição de valores para diferentes contas para dificultar rastreamento.
Essas práticas são frequentemente associadas à ocultação da origem de recursos ilícitos.
Qual é a suspeita envolvendo igrejas?
De acordo com a apuração, os valores eram fracionados e distribuídos para diferentes contas bancárias, incluindo contas vinculadas a igrejas. Esse método cria uma cadeia mais complexa, dificultando a identificação de um fluxo direto de dinheiro ilícito de origem e destino final de recursos.
A polícia ainda apura se as transferências para as igrejas eram dízimos reais ou parte do esquema. O contador Thiago Schüler explica que receber o dinheiro não é crime por si só. A lavagem de dinheiro só acontece se o recurso voltar para o criminoso.
“A lavagem tem que ir e voltar. A igreja teria que aplicar o recurso em algo do interesse do doador, como a compra de um imóvel ou investimentos para beneficiar o grupo”, detalha.
Quais medidas foram tomadas pela Justiça?
Durante a Operação Tigre de Areia, a Justiça autorizou uma série de medidas para interromper o fluxo financeiro do grupo investigado e preservar provas.
Foram suspensos perfis em redes sociais que, segundo a investigação, eram utilizados para divulgar jogos de azar ilegais e sorteios não autorizados. Três casas e sete lotes em diferentes regiões, além de três veículos, foram apreendidos. Além disso, contas bancárias e outros ativos financeiros dos investigados foram bloqueados.
A Justiça também determinou a quebra do sigilo de dados, permitindo o acesso a informações em celulares, computadores e na nuvem. Isso deve ajudar a polícia a identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras.
Justiça determinou bloqueio de bens e suspensão de redes sociais
Divulgação/SSP
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Fonte: G1 Tocantins